Veja o que poderia ter sido feito para a população com a propina da Odebrecht

em Corrupção | 17.04.2017

Os R$ 10 bilhões gastos dariam para comprar quase 84 mil ambulâncias, mais de 55 mil ônibus escolares ou construir 5,4 mil creches.

As cifras pagas em propinas, divulgadas pela delação da Odebrecht, são impressionantes. A Associação Contas Abertas fez as contas e mostra exatamente o que poderia ter sido feito em favor da população brasileira com os R$ 10 bilhões que a empreiteira admitiu ter destinado à corrupção nos últimos oito anos.

Com o dinheiro da corrupção que a Odebrecht movimentou seria possível construir 5.421 creches, para atender 867.360 crianças. Com a fortuna desviada, também poderiam ser comprados 83.944 ambulâncias ou 55.257 ônibus escolares. Se o dinheiro fosse usado em Unidades de Pronto Atendimento, seriam construídas 5.150 unidades.

As comparações foram realizadas com base em valores do Ministério do Planejamento e da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional.

O secretário-geral da Contas Abertas, Gil Castello Branco, responsável pelo cálculo, disse ao Bom Dia Brasil, que é muito dinheiro que poderia estar indo para melhorar a infraestrutura do Estado, mas acaba nos bolsos de alguns corruptos.

Na delação de Emílio Odebrecht, enquanto o patriarca da empreiteira que leva seu nome tentava justificar propina de R$ 300 milhões ao PT, o procurador da República Sérgio Bruno Cabral Fernandes deixou claro que os recursos poderiam ter aprimorado o bem-estar social do Brasil.

“São 300 milhões que foram gastos sei lá com o que, seja com campanha, com santinho, com tempo de televisão, com marqueteiro, que podia ter sido construído escola, hospital e todo esse Brasil que o senhor sonha e quer viver. Esse dinheiro poderia estar lá”, disse Fernandes.

Os mais de R$ 10 bilhões foram distribuídos pela Odebrecht como propina e caixa 2 em troca de favorecimento da empreiteira. As várias planilhas apresentadas pelos delatores mostram todos os beneficiados. A lista conta com deputados, senadores, governadores, ministros, prefeitos, deputados estaduais e vereadores.

Nos acordos de delação premiada, os executivos da empresa se comprometeram a devolver o dinheiro que foi desviado de contratos e obras públicas.