Janot diz que não vai retroceder nem desistir do combate à corrupção

em Corrupção | 12.09.2017

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que não vai retroceder nem desistir do combate à corrupção. A afirmação foi uma resposta a quem Janot chamou de “detratores”. O procurador esteve presente no lançamento de campanha contra a corrupção da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla),

“As instituições estão funcionando. As reações tem sido proporcionais. Como não há escusas para os fatos descobertos, escancaradamente comprovados, a estratégia de defesa não pode ser outra senão tentar desacreditar a figura das pessoas encarregadas do combate a corrupção. Temos que lembrar e fazer saber aos nossos detratores, que não conjugamos dois verbos: retroceder e desistir no combate à corrupção”, disse.

Janot defendeu o avanço nos últimos anos do combate aos desvios e destacou que em recente pesquisa para avaliar o que pensam os brasileiros, o trabalho de enfrentamento a corrupção foi apontado com larga folga, por 36% dos entrevistados, como a missão mais importante do Ministério Público.

Esta é a última semana de Janot à frente da Procuradoria-Geral da União (PGR) e será cheia. O procurador tem de dar explicações à ministra Cármen Lúcia sobre as citações ao Supremo Tribunal Federal (STF) em áudios gravados por Joesley Batista e passará pelo crivo da Suprema Corte antes de encaminhar a prometida nova denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Além disso, o MPF também terá de revisar os benefícios concedidos ao empresário da JBS.

O impasse com a Justiça não será o único problema de Rodrigo Janot nesta reta final do mandato. Tendo poucos dias para apresentar uma nova denúncia contra o presidente, o procurador-geral estará sob julgamento do plenário da Suprema Corte. Na quarta-feira, o pleno de ministros julgará o pedido de suspeição contra Janot feito pela defesa de Temer.

Os advogados alegam perseguição política e pedem que qualquer acusação seja suspensa até que o caso JBS seja esclarecido. O ministro Edson Fachin, relator do pedido, decidiu a favor de Janot, mas, diante do recurso, levará a decisão ao plenário. A possível apresentação de um pedido para investigar o presidente dependerá do crivo dos magistrados.