Procuradores da Lava Jato podem renunciar se “intimidação” for sancionada

Em entrevista coletiva realizada em Curitiba na tarde desta quarta-feira (30), o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos dos Santos Lima chegou a dizer que a força-tarefa da Lava Jato ameaça abandonar os trabalhos se a "proposta de intimidação de juízes e procuradores" for aprovada.

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato repudiaram o que chamam de ataque feito pela Câmara contra as investigações e a independência dos promotores, procuradores e juízes. "Golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato concretamente em toda a sua história", afirmou o procurador Deltan Dallagnol, que é o coordenador da força-tarefa.

Deltan Dallagnol disse que, se for aprovada, "a proposta será o começo do fim da Lava Jato". "A força-tarefa da Lava Jato reafirma seu compromisso de trabalhar enquanto for possível", reforçou. O coordenador da força-tarefa inclusive afirmou que "não será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a lei da intimidação for aprovada".

Segundo Dellagnol, a Câmara enfraquece o combate à corrupção, e isso acontece no momento em que a Lava Jato chega perto de pessoas do poder. "O objetivo é estancar a sangria. Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e o que o parlamento quer. Se instala a ditadura da corrupção."

"Aproveitaram um projeto de combate à corrupção para se protegerem. O motivo é porque estamos investigando, estamos descobrindo fatos, iríamos chegar muito mais longe. O instinto é de preservação", diz Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que tratava das 10 medidas de combate à corrupção, mas o texto não saiu como o Ministério Público Federal propôs. Os parlamentares retiraram do projeto medidas importantes como a criminalização do enriquecimento ilícito e incluíram a punição de juízes e membros do Ministério Público por crime de responsabilidade.

Já ontem (29), a força-tarefa da Lava Jato manifestou repúdio a qualquer tentativa de aterrorizar procuradores, promotores e juízes no exercício da atividade de investigação, processamento e julgamento de crimes, especialmente daqueles praticados nas mais altas esferas de poder.

“Os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário se sujeitam a quatro esferas de responsabilidade: civil, criminal, de improbidade administrativa e disciplinar. A afirmação de que essas classes são uma “casta privilegiada” ou “intocável” são falsas e objetivam manipular a opinião pública”, explicaram em nota os procuradores.

*Com informações G1


Publicada em : 01/12/2016

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